Vamos fazer um filme

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Qual é a coluna vertebral do projecto?

Janeiro 12, 2008 · Deixe um comentário

Este é um assunto sobre o qual tenho pensado e julgo importante esclarecer. Apesar de algumas pistas que possam existir nesse sentido, nunca foi o meu objectivo fazer um filme sobre a problemática dos ‘recibos verdes’. Estes são apenas um sintoma de algo que vai mal na estrutura socio-económica da sociedade. Para compreenderem o que quero dizer, vejam os documentários do Michael Moore. O Bowling for Columbine não é apenas sobre as armas nos EUA, mas sim sobre o Medo que existe na sociedade americana. O Sicko não é apenas sobre um sistema de saúde injusto, mas sim sobre um modelo de sociedade em que a solidariedade não encaixa. Eu gostaria cá gostaria que o nosso projecto colocasse sobretudo a seguinte questão, que deverá permear o filme:

- O que é o sucesso?

Falo da questão do material/espiritual, falso/autêntico, ter/ser. Em todos os personagens do filme, tal como em nós próprios, por-se-à esta escolha que pode ser trágica – basta ver a quantidade de histórias sobre a ambição, por exemplo.

A precipitar este desenvolvimento, há uma série de factores antagónicos a explorar, seja como elementos narrativos, seja entranhados nas próprias personagens:

  • Factores económicos (desemprego, concorrência desleal, custo de vida);
  • Factores políticos (os recibos verdes, hostilidade a certas actividades – ex. à àrea da cultura);
  • Factores sociológicos (os “valores” – da família, dos colegas, da publicidade).

Espero que este texto não pareça excessivamente sério. O humor e a fleuma fazem parte da concepção inicial do projecto. Mas (mais ainda dada a natureza cooperativa) é-me necessário definir qual o subtexto do projecto, de modo a que todos os esforços tenham o mesmo foco.

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Um argumento para aproveitar peças

Janeiro 10, 2008 · Deixe um comentário

Embora este projecto esteja a ser construído de forma independente e marginal até, eu enquanto realizador não faço questão de excluir outros meios de produzir filmes. Aliás, ter dinheiro para fazer as coisas dá jeito. Assim pelo segundo ano consecutivo participei no concurso de atribuição de subsídios a curta-metragens no ICAM, com um argumento que já retratava as frustrações que levaram a avançar com este projecto.

Ontem recebi os resultados provisórios e como era esperado ainda não é desta. Aliás, consegui o meu objectivo que era ficar na 1ª metade da tabela (52º em 110), depois de o ano passado ter ficado em 75º. Lendo os comentários do júri, fica a moral da história: preciso de currículo, e para isso preciso de produzir coisas, tal como este filme que estamos a construir.

Deixo aqui o argumento com que participei no concurso – Os Recibos Verdes são Azuis [PDF] – o título é terrível, eu sei. A história a construção destes personagens não me entusiasma terrivelmente, mas o guião tem o espírito que gostaria de ver no nosso projecto. Fica aqui disponível, como um texto-sucata, para que retirem as peças e reciclem aquilo que vos interessar.

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